Verdade seja dita: a Toscana é sempre um sonho para quem ama a Itália, vinhos e estradas cênicas. No meu caso, esse sonho se realizou em uma viagem com amigas pela Itália. Ao longo dos sete dias do nosso roteiro dedicados à região, um dos pontos altos da viagem não aconteceu em uma vinícola ou diante de um dos clássicos cartões-postais toscanos. Aconteceu praticando o dolce far niente em Panzano, pequeno vilarejo no coração do Chianti.
Panzano entregou a Toscana que sonhávamos viver: devagar, cercada por vinhedos e oliveiras, com bons restaurantes, uma hospedagem simpática e charmosa e uma praça central que parecia ter saído de um filme. Um filme com três grandes amigas como protagonistas.

Panzano in Chianti: descobrindo a Toscana dos meus sonhos
Panzano in Chianti é um pequeno borgo medieval no coração do Chianti, na Toscana, pertencente ao município de Greve in Chianti. Cercado por vinhedos, oliveiras e bosques da Conca d’Oro, tem cerca de 1.200 habitantes. E, claro, estamos no coração de uma das regiões vinícolas mais famosas da Itália, território do Chianti Classico, vinho tinto elaborado principalmente com a uva Sangiovese, que deve representar pelo menos 80% do vinho.


Um vilarejo no coração do Chianti, entre Florença e Siena
Situado entre Florença e Siena, Panzano já começa a encantar antes mesmo da chegada. Afinal, a estrada é parte da viagem: chega-se ao vilarejo pela famosa e bela Via Chiantigiana (SR222).
Distâncias de Panzano in Chianti:
Florença — 35 km, cerca de 55 minutos de carro
Siena — 40 km, cerca de 1 hora de carro
Grande parte dos turistas faz um bate-volta a Panzano a partir de Florença atraída principalmente por dois grandes nomes: Dario Cecchini, célebre açougueiro italiano, e a vinícola Antinori nel Chianti Classico, a cerca de 16 km do centro de Panzano.
Mas vai por mim: a região vai muito além disso. Tem forte vocação agrícola e vitivinícola e um ritmo que convida justamente a ficar um pouco mais para curtir sem pressa.


Por que visitar Panzano em um roteiro pela Toscana?
Antes da viagem, enquanto montava nosso roteiro da Toscana com amigas, o que me fez incluir Panzano no trajeto foi a sua proximidade com a vinícola Antinori, onde havíamos agendado um almoço com dois meses de antecedência. Queria um lugar para dormir próximo à vinícola, evitando pegar muita estrada.
E foi justo na busca por hospedagem que encontrei Panzano — e descobri também a facilidade de chegar de carro e estacionar no centro do vilarejo sem pânico de levar uma multa italiana.
Mas, é claro, ao longo da viagem, o destino também foi nos conquistando por outros motivos, que revelo a seguir.




1. Dario Cecchini: o açougueiro que ajudou a colocar Panzano no mapa
É fato: eu não fazia ideia do que havia para fazer em Panzano. Pesquisando sobre o vilarejo, descobri que havia ganhado fama graças a um morador-celebridade: Dario Cecchini, o açougueiro mais conhecido da Itália. Ele nasceu em Panzano in Chianti, em 1955, e seu ofício está ligado a uma tradição familiar que já atravessa oito gerações.
O poeta da bisteca e seu universo gastronômico
Dario não é só um grande embaixador da bisteca, mas também de Panzano in Chianti, onde fica a Antica Macelleria Cecchini, o histórico açougue de sua família. Foi a partir da Macelleria que Cecchini criou seu próprio universo gastronômico no vilarejo toscano: o Solociccia, a Officina Cecchini e o Cecchini Panini Truck.


Ou seja: para muita gente, Panzano tem nome e sobrenome — Dario Cecchini.
Antica Macelleria Cecchini → o açougue original
Solociccia → restaurante com preparações do açougueiro
Officina Cecchini → experiência focada em carnes na grelha
Cecchini Panini Truck → food truck com sanduíches e carnes grelhadas
Confesso que fui amadora e não fiz reserva para o restaurante. Chegando a Panzano, nem apelando ao próprio Dario — que, felizmente, encontramos em seu açougue — conseguimos uma mesa de última hora.
Uma pequena frustração que acabou nos levando a outro grande acerto da viagem. Conto adiante.


2. Panzano: da estrada cênica à vida sem pressa na praça
Enfim, Panzano poderia ter sido apenas uma decisão logística do nosso roteiro. Entretanto, bastaram alguns quilômetros de estrada para perceber que aquele pequeno vilarejo seria muito mais.
Primeiro veio a paisagem da Via Chiantigiana (SR222). Vontade de parar em cada curva! Depois, a vista do hotel, bem no centro de Panzano. Que acerto! E, por fim, a vida sem pressa da praça central: a Piazza Gastone Bucciarelli.

Nosso trajeto: de Siena a Panzano
Partimos cedo de Siena rumo a Panzano. Percorremos trechos da Via Chiantigiana, a SR222, estrada que atravessa o Chianti ligando a região de Florença à de Siena, em meio a ciprestes, vinhedos e pequenos vilarejos.
Antes de chegar a Panzano, fizemos uma parada em Castellina in Chianti, uma das pequenas cidades históricas do Chianti. Depois, o almoço e o impacto visual da vinícola Antinori, um dos grandes ícones do vinho italiano.
+ Veja também no Café Viagem:
Roteiro Siena 2 dias
Val d´Orcia na Toscana: roteiro Montepulciano e Pienza


3. Nosso grande acerto em Panzano: a hospedagem
Nossa hospedagem em Panzano foi um superacerto: La Pensione di Vignamaggio, bem na Piazza Gastone Bucciarelli, coração da vila. Talvez essa escolha tenha ajudado a explicar por que nos apaixonamos tanto pelo vilarejo. Com apenas 21 quartos, La Pensione ocupa uma construção de ares toscanos renovada com charme. A localização é perfeita para deixar o carro e viver o borgo a pé.
A saber: mais do que apenas uma hospedagem, La Pensione di Vignamaggio faz parte de um universo maior de recuperação e valorização de uma propriedade histórica do Chianti Classico. Vignamaggio reúne também – a poucos quilômetros da pousada – uma fazenda orgânica e uma propriedade vitivinícola com produção de vinho documentada desde 1404.


Além do aconchego e da localização ímpar, o que mais nos encantou foi o paisagismo: jardins e uma área externa completamente integrada à Toscana ao redor. Da piscina ou da varanda do café da manhã, era possível contemplar lavandas, oliveiras, alecrim, colinas e uma paisagem absurdamente linda.
E foi justamente na piscina, degustando um vinho orgânico de Vignamaggio, que praticamos uma das expressões italianas de que mais gosto:
dolce far niente. Em português, a doçura de não fazer nada.




4. Comer em Panzano: o restaurante com a vista dos sonhos da Toscana
Lembra que não conseguimos uma mesa nos restaurantes de Dario Cecchini para jantar? A solução foi pedir dicas na nossa hospedagem de onde comer com vista em Panzano.
Recebemos duas: o Oltre il Giardino e o Il Vescovino Ristorante. Escolhemos, quase ao acaso, o Il Vescovino. E que sorte.
Além de um menu toscano preparado com ingredientes locais, o restaurante Il Vescovino entrega uma vista absolutamente espetacular do Chianti. Sem exagero, foi uma das vistas mais bonitas da nossa viagem pela Toscana.
Depois do visual, outra surpresa: o restaurante é comandado por uma família brasileira. Confesso: nossa primeira reação foi um certo preconceito viajante. “Brasileiros? Mas viemos até a Toscana justamente querendo algo italiano.” Pois ainda bem que preconceitos também servem para ser quebrados!
Nosso jantar foi espetacular e, pasmem, muito italiano. Degustamos uma garrafa de Chianti Classico e um prato principal de massa por pessoa. A conta ficou em torno de 40 euros por pessoa.


Por fim, ainda ganhamos uma dica do nosso garçom: caminhar pela Via di Pescille, apreciando o entardecer mágico do Chianti, do alto da colina de Panzano. Priceless.

5. Fim de noite na praça brindando a vida, a amizade e a descoberta de Panzano!
Por fim, terminamos nossa noite na pequena praça da vila, a Piazza Gastone Bucciarelli. Sentamos em um banco, conversamos com moradores, observamos o movimento e, mais uma vez, tivemos a sensação de estar dentro de um filme.
Encerramos com mais um vinho na Enoteca Baldi, instalada na própria Piazza Bucciarelli. É enoteca, wine bar e restaurante, com boa seleção de vinhos em taça e garrafa, além de aperitivos e pratos.


Meu erro no roteiro Panzano
Ao organizar o roteiro pela Toscana com amigas, Panzano ganhou menos de 24 horas em nossa programação. Hoje, dedicaria pelo menos dois dias inteiros ao vilarejo e aos arredores.
Caminhe. Observe. Converse com os moradores. Alguns dos nossos melhores achados surgiram justamente assim:
- a caminhada até o restaurante onde jantamos;
- a vista do restaurante — e até de um telhado pelo caminho;
- o banco da praça.
Pouco? Talvez. Mas foi exatamente isso que tornou Panzano especial.
E foi assim, ao lado de amigas, que encontrei a Toscana dos meus sonhos em plena primavera europeia.
Claro que já quero voltar!

No final, de Panzano, seguimos para Florença, onde encontramos mais três amigas para viver mais aventuras pela Itália.
+ Veja aqui todo o nosso Roteiro Itália com amigas 14 dias
SAIBA MAIS
Panzano in Chianti — Toscana, Itália
>>Minha dica de hospedagem: La Pensione di Vignamaggio
Todo o roteiro Itália com Amigas no Café Viagem
Site oficial de turismo da Toscana: www.visittuscany.com
Veja Panzano no meu Mapa de atrações da Toscana
INFORMAÇÕES ADICIONAIS:
História
O Castelo de Panzano, documentado desde o século XI, domina a parte histórica do vilarejo. Sua história está ligada às famílias Firidolfi e Ricasoli Firidolfi, protagonistas das antigas disputas entre Florença e Siena. Ainda hoje, trechos das muralhas medievais permanecem preservados e revelam belas vistas das colinas ao redor.
Eventos principais em Panzano
Na primavera acontece o Vino al Vino in Cantina, oportunidade de degustar os rótulos locais diretamente nas propriedades produtoras. Já no outono, no terceiro fim de semana de setembro, o Vino al Vino movimenta a Piazza Bucciarelli, coração do vilarejo, com degustações e encontros com produtores.
Em 25 de abril, a Festa della Stagion Bona é um dos eventos mais tradicionais de Panzano. Ares medievais com trajes de época, comidas típicas, vinho e encenação da histórica rivalidade entre as famílias Gherardini e Firidolfi.
Vinícolas para visitar nos arredores
Panzano é cercada por algumas propriedades de destaque do Chianti Classico. Indico fortemente a visita à Antinori nel Chianti Classico. Outras boas opções são La Fattoria di Vignamaggio, Castello dei Rampolla, Il Molino di Grace e Fontodi.
Oi, sou a Alexandra Aranovich
Autora do blog Café Viagem, criadora de conteúdo e sommelier. Degusto a vida entre vinhos, viagens e café da manhã. Moro em Porto Alegre, mas vivo com o coração no mundo. Como posso te ajudar a degustar teu sonho?